Contrariamente à tendência positiva publicitada por telejornais com notícias animadoras sobre o aumento da empregabilidade e rentabilidade do setor turístico, verifica‐se, ainda hoje e apesar de contínuas queixas e denúncias, uma profícua e lamentável exploração dos trabalhadores na indústria turística e similares: abrangendo Hotelaria, Restauração, Guias Intérpretes, entre outros.
Uma esmagadora maioria dos trabalhadores qualificados do setor turístico não possui horários nem contratos fixos; não lhe consideram nem remuneram horas extraordinárias nem trabalhos (e esforços) igualmente extraordinários.
Apesar da forte aposta na qualificação de jovens no Turismo, considerado aliado estratégico dado o seu peso para o PIB nacional, como têm demonstrado as contínuas revisões ao Plano Estratégico Nacional de Turismo e diversos estudos económicos, continua‐se a verificar a mesma precariedade e exploração laboral, sem melhoria dos direitos dos trabalhadores e, inclusive, com uma liberalização ao acesso destes empregos por trabalhadores não qualificados. Trata‐se de um novo ataque à dignidade do trabalho e também à juventude, que novamente se vê forçada a emigrar na procura de melhores condições que o país natal, apesar de rico em recursos naturais e patrimoniais, recusa oferecer. Estas limitações terão um impacto severo na economia portuguesa a longo prazo, pela contínua oferta de educação, criação de massa crítica e qualificada, e eventual perda da mesma, devido á crescente imigração. O progressivo envelhecimento da população portuguesa acentuará estas dificuldades.
Os trabalhadores qualificados que ainda conseguem emprego na indústria turística sofrem de modo diário contínuas dificuldades em questões básicas como o direito ao repouso semanal, e o direito a uma remuneração justa através de um contrato de trabalho. A precariedade em que vivem, dependente frequentemente de recibos verdes e empresas de trabalho temporário, impedindo totalmente a constituição de uma vida tanto profissionalmente como pessoalmente estável.
As rendas para uma habitação não diminuem quando o sol se vai. O rendimento de um trabalhador em Turismo pode e tende a diminuir com o tempo, seja o sol ou o da crise financeira.
A precariedade deste setor cria graves entraves à criação de uma vida digna conforme prevista pela Constituição Portuguesa. relembramos a necessidade de pausa, de horas de almoço, de pagamento de horas suplementares, de ordenados fixos e dignos, adequados ao investimento dos que estudaram, procurando melhores condições de vida.


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